quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Comemorações Navais



Duelo nos Mares

Para comemorar os 200 anos da batalha naval de Trafalgar, decorrerá uma exposição histórica com abertura prevista para o próximo Verão intitulada Nelson & Napoléon, patente ao público entre 7 de Julho e 13 de Novembro no National Maritime Museum, em Greenwich.

Travada ao largo do Cabo de Trafalgar (Andaluzia) a 21 de Outubro de 1805, esta foi a última grande batalha naval de navios à vela, marcando o fim das pretensões marítimas da França napoleónica. A Royal Navy de Lord Nelson derrotou a armada conjunta franco-espanhola liderada pelo Vice Almirante Charles de Villeneuve, mas acabaria mortalmente ferido pelo disparo de um atirador inimigo. Uma manobra táctica fulgurante que pode ser seguida em animação, aqui.

Joseph M. William Turner, Trafalgar, 1824 (National Maritime Museum, Greenwich)

O evento foi reconstituído pelo célebre pintor romântico Turner numa tela encomendada pelo rei Jorge IV de Inglaterra. Curiosamente, o artista foi criticado quando da primeira exposição do quadro no palácio de Saint James. Turner viu-se na obrigação de retocar a sua obra corrigindo elementos náuticos como a mastreação e o complexo cordame.
Mais informações sobre os quadros e estudos de Turner podem ser obtidos na Tate Gallery de Londres.

Depois de uma luta de 2 horas contra o HMS Victory, o Redoutable sucumbe ao ataque do HMS Temerarious. Auguste Mayer, 1836 (Musée de la Marine, Paris)


Denis Dighton, The Fall of Nelson, 1825 (National Maritime Museum, Greenwich)
Inicia-se assim um conjunto de comemorações que irá decorrer durante todo o ano, declarado Ano do Mar em Inglaterra, organizadas pelo National Maritime Museum sob a forma de um festival marítimo intitulado SeaBritain 2005 , grandiosa homenagem marítima com regatas, reconstituições históricas e exposições, para celebração do Mar com o qual os ingleses, genuínos ilhéus, sempre contaram para a defesa e expansão do seu império.

Os franceses também comemoraram a face marítima do efémero império napoleónico, num evento menos divulgado do Musée de la Marine em Paris, mas com um catálogo interessante e uma exposição virtual sobre o sonho do império marítimo gaulês. A clicar.





 

Navios e Canhões




Últimos grandes navios de guerra movidos a vela, os navios de linha da era napoleónica desafiavam os inimigos e os mares encerrando na sua estrutura uma estética imponente feita de robustos cascos a partir de milhares de carvalhos das florestas nórdicas, unidos por toneladas de pregadura de cobre e ferro e complementados com quilómetros de cabos de cânhamo e linho trabalhados por autênticos exércitos de oficiais artesãos nos principais estaleiros das potências marítimas.



No caso do HMS Victory (navio de linha comandado por Nelson em Trafalgar), foram necessários mais de 2.000 troncos de carvalho para o casco e os três mastros, mas a qualidade da sua construção levou-o a ultrapassar a sua longevidade até aos dias de hoje. O navio elevava-se nos mares como autêntica plataforma de artilharia flutuante, ostentando 104 canhões e uma tripulação de 800 homens.

Precisamente um dos aspectos mais impressionantes da guerra naval nesta época prende-se com o notável poder de fogo embarcado e a eficaz logística da Royal Navy. Este facto foi realçado num estudo da década de 1980 (veja-se John Keegan, mais abaixo) através de uma comparação com a artilharia terrestre da mesma época.


Enquanto que o Exército do Norte francês a que Napoleão destinou a batalha de Waterloo em 1815 se fez acompanhar de um trem de 366 canhões de 6 a 12 libras de calibre, assistidos por 9.000 artilheiros, já a armada de 27 navios de Nelson em Trafalgar dispunha de 2.232 canhões, a partir de 12 libras de calibre até 68 libras, manobrados por nada menos de 14.000 homens.

Ou seja, o poder de fogo da marinha de guerra inglesa em Trafalgar excedeu a artilharia de Napoleão em Waterloo na proporção de 6 para 1; e se fosse necessária transportá-la por terra, teriam sido necessários perto de 50.000 artilheiros e 30.000 animais de carga, ao passo que a velocidade de transporte da artilharia na armada de Nelson era feito a 1/5 do custo logístico francês e 5 vezes mais rápido.

O HMS Victory encontra-se actualmente em doca-seca no porto de Portsmouth. Para quem quiser saber mais, existe um "site" sobre este navio e a sua carreira gloriosa.


História e Ficção




O filme "Master and Commander: the Far Side of the World" (2003, de Peter Weir), baseado na série de ficção histórica já clássica de Patrick O’Brian, trouxe ao grande écrã uma reconstituição particularmente intensa da vida a bordo nesta época, embora a acção não decorra em navios de grande porte.


Outros autores, como o historiador inglês John Keegan em The Price of Admiralty: the Evolution of Naval Warfare (1988), e mais recentemente, o brilhante investigador Nicholas Rodger, no 2.º volume da História Naval da Grã-Bretanha, The Command of the Ocean, 1649-1815 (2004), analisaram atentamente a vivência da guerra e as faces humanas dos conflitos navais ambos de leitura imprescindível não apenas pela sólida documentação como pelo deleite na boa escrita britânica.

Nelson, responsável pela vitória prenunciadora sobre os espanhóis na batalha do Cabo de São Vicente, ao largo do Algarve em 1797, tal como referi num “post” anterior (Novembro de 2003) conseguiu desfazer em Trafalgar o poder naval napoleónico.

Não admira, por isso, que decorridos apenas 2 anos, o exército francês invadisse apressadamente Portugal, em busca do melhor porto atlântico da Península e dos navios portugueses, última esperança para a defesa marítima do império francês face ao Bloqueio Continental imposto por Inglaterra. Mas esta é outra história, uma de muitas a ser publicadas nos dois próximos volumes da colecção “Batalhas de Portugal” da Editora Tribuna da História, da autoria do Comandante José Rodrigues Pereira, “Campanhas Navais, 1793-1807”. Uma boa leitura marítima.

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Há uma Senhora nos Mares



A inglesa Ellen MacArthur, de apenas 28 anos, está de parabéns pela conclusão bem sucedida da circumnavegação a solo sem escala mais rápida da História. Ao comando do trimarã B&Q Castorama de 75 pés (23 metros), levou 71 dias, 14 horas, 18 minutos e 33 segundos de intensa e perigosa navegação entre tempestades, icebergues, avarias e pelo menos uma colisão evitada com uma baleia.

Ellen já tinha ganho fama ao conquistar em 2001 o 2.º lugar na “Vendée Globe”, dura prova de circumnavegação e ao vencer a mítica “Route du Rhum” no ano seguinte.

Mais uma grande alma navegadora de terras de Sua Magestade. Por isso, irá receber da rainha Isabel II o título de Dama e Membro da Ordem do Império Britânico. Que diria o corsário Francis Drake, ele próprio intitulado “Sir” pela primeira Isabel há 425 anos?



Mais informação sobre a equipa que tornou este feito possível aqui .

Correcção
Afinal, o Expresso adiou por motivos de força maior a publicação do meu artigo sobre D. António e Drake para o próximo fim-de-semana. Pelo facto, completamente alheio à vontade do “Marítimo”, pedimos desculpa aos nossos leitores.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Portugal, o Mar e a Guerra no Final do Renascimento



Aqui fica o agradecimento do “Marítimo” ao Baixa Pombalina, Cobra Cuspideira e Don Vivo pela sua agradável presença no lançamento do meu livro. Espero que nos possamos reunir de novo em breve.

Entretanto, e para todos os que não puderam vir à cerimónia, sugiro que espreitem o próximo número do semanário Expresso, onde poderão ler uma versão algo resumida de um dos capítulos das Campanhas do Prior do Crato, 1580-1589 .

Guerra nos Mares
O “Marítimo” regressa então à sua faina, embora já não com o ritmo anterior. Temos em mãos outros projectos editoriais e um novo livro pelo menos sairá lá para o Outono relativo ao mergulho e recuperação de naufrágios.
Em breve publicarei uma série de “posts” sobre este tema. Seguir-se-ão outros acerca das investigações que prossigo sobre diversos aspectos do poder naval português no final do séc. XVI. Fiquem atentos e até breve.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Aperitivos Marítimos



Antes da apresentação de amanhã sobre as campanhas esquecidas de D. António, Prior do Crato, vale a pena visitar a exposição La Mer: Terreur et Fascination, concebida pela Bibliothèque Nationale de France em Paris. Embora tenha encerrado em Janeiro passado, está disponível desde já o catálogo e a visualização em suporte virtual. Uma coleccção excepcional de documentos gráficos que nos despertam fortes sentimentos ambivalentes, como esta iluminura de uma enciclopédia medieval de Barthélemy l'Anglais, "Livre des propriétés des choses" (Livro das Propriedades da Coisas), composta no século XV.



O título da exposição recorda-nos uma interessante tese de mestrado publicada recentemente, da autoria da japonesa Kioko Koiso, Mar, Medo e Morte: aspectos psicológicos dos náufragos na História Trágico-Marítima, nos testemunhos inéditos e noutras fontes (Cascais: Patrimonia, 2004; 2 vols.), fruto de investigação exaustiva sobre a narrativa de naufrágios portugueses na época da Expansão.

Então, boa leitura e até amanhã.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Bom Ano e Convite

A todos os leitores e curiosos das coisas marítimas, históricas e militares: eis o motivo principal da minha ausência nos últimos meses...

É com muito prazer que vos convido para a apresentação do meu livro Campanhas do Prior do Crato, 1580-1589: Entre Reis e Corsários pelo Trono de Portugal, no próximo dia 2 de Fevereiro (4.ª-feira) às 18:00 horas no Palácio Almada (também conhecido por Palácio da Independência) em Lisboa, próximo do Teatro D. Maria II. Não façam cerimónia, que o assunto é mesmo para todos. Depois deste, haverá mais, mas só lá para o final do ano (esse sim, terá um tema totalmente marítimo).

Leiam e divulguem!
Convém apenas acrescentar que este estudo segue-se à Invencível Armada, 1588: a Participação Portuguesa, que realizei em co-autoria com o Comandante Augusto Salgado, publicado em 2002 na mesma colecção.

Obrigado a todos/as deste vosso humilde navegador e até breve.
P.S. Agradecimento especial ao Hugo.



CONVITE

A editora Tribuna da História tem o prazer de convidá-los para a cerimónia de lançamento do livro “Campanhas do Prior do Crato – 1580-1589, Entre Reis e Corsários pelo Trono de Portugal”, da Colecção Batalhas de Portugal, da autoria de João Pedro Vaz, que terá lugar no próximo dia 2 de Fevereiro, pelas 18:00h no Palácio Almada, sede da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, no Largo de São Domingos, n.º 11, em Lisboa.

A apresentação da obra será feita pelo Prof. Doutor Carlos José Margaça Veiga, Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


TRIBUNA DA HISTÓRIA – Edição de Livros e Revistas, Lda.

Escritº – Rua Pinheiro Chagas nº 38 – 1º-Dtº. 1050 – 179 LISBOA

Tel e Fax: 21 315 04 38

E-mail: tribunadahistoria@iol.pt


terça-feira, novembro 16, 2004

Comérdia Trágica ou (mais) uma "biografia" de D. Sebastião...

Ainda estou a tentar recobrar os sentidos depois das sinopses que li de um livro do brasileiro Aydano Roriz sobre D. Sebastião, mas aqui vai:

Alguns arrebatadores excertos deste livro circulam na "Net": "um dos aspectos mais curiosos deste trabalho é a elaboração das falas dos diversos personagens. Por exemplo o médico Amato Lusitano veio de muito longe para estudar o neto de D. João III e disse: «O principezinho nasceu efectivamente com pénis e com uma pequena vagina. Ambos menores que o normal. A bolsa escrotal é murcha como uma bexiga vazia e os testículos, de tão atrofiados, assemelham-se a duas sementinhas". Fantástico, não? E esta autêntica pérola: " Cardeal D. Henrique aparece a falar neste tom: «Tu pareces louca ó Catarina. Se não me respeitas como filho do Venturoso e irmão do teu marido, respeita-me ao menos como príncipe da Igreja. Achas que eu seria capaz de atentar contra a vida do senhor meu rei? Tu vai pentear macacos, ó Catarina! És louca, mulher.» Por sua vez Filipe de Espanha afirma para D. Sebastião, depois de este dizer que a sua mãe é Portugal: «Não sejas injurioso, rapaz. A tua mãe era uma mulher maravilhosa. Extraordinária mesmo.» Por fim as palavras de D. Sebastião para Filipe de Espanha sobre as suas reais intenções em África: «Temos conseguido poucos proveitos na Índia e no Brasil. E Marrocos, mesmo ao pé da porta, tem muito trigo, gado, açúcar e anil.» Por esta amostragem se faz a aproximação ao ponto talvez de maior interesse deste livro: a capacidade do seu autor se colocar na pele dos personagens, desenvolvendo os diálogos com muita vivacidade e a verosimilhança possível, pois (é claro) não estava lá ninguém para registar quando os episódios aconteceram. Nesse aspecto este texto é um achado.", isto de acordo com o Notícias da Amadora. Oh, meus amigos...
Honestamente, não sei o que dizer.

Vejam-se ainda estes exemplos antológicos da arte de não-dizer-nada: "trata-se de uma narrativa de 280 páginas a partir de uma investigação pessoal e do recurso à consulta de variada bibliografia. Sendo uma «história» de Dom Sebastião, torna-se também uma «história» do seu tempo pois incorpora muitos outros personagens e não se reduz à vida do «Desejado»" (ainda segundo o Notícias da Amadora). E não é tudo: parece que o autor é mesmo bom, pois "O livro nasceu de um amplo trabalho de pesquisa histórica de Aydano Roriz, que visitou vários dos lugares nele retratados (Portugal, Bélgica, Espanha) e consultou centenas de sites da Internet e livros do século XVII em português arcaico". É-me difícil conter o riso...

Mal-fadada hora aquela em que a Editora Pergaminho decidiu publicar em Portugal uma obra desnecessária e de teor aberrante. Porque não reeditar a grande obra de Queiroz Veloso, caramba? Evitavam queimar-se e, com eles, um bom bocado da nossa História...

quarta-feira, abril 14, 2004

Navegações do "Maritimo"

Novidades
O capitão deste "blog" justifica a hibernação deliberada deste espaço com a sua colaboração noutros projectos marítimos (e nas suas próprias investigações históricas). Para saber mais, nada melhor do que ler o próximo número da revista «Vega», a qual (como já terão lido algures) é a primeira revista portuguesa de grande informação dedicada ao mar.



O artigo em questão (assim como o que sairá na próxima semana nadesaguliers_diving1.jpg revista «Al-Madan») trata do mergulho em navios afundados e recuperações subaquáticas na época da Expansão, um dos temas prestes a tratar em livro, já prometido há vários meses, mas sucessivamente atrasado devido a divergências com a antiga editora. Para já fica a notícia sobre os artigos que posteriormente estarão acessíveis aqui, neste recanto marítimo virtual.
Sugestão
Em Londres, o Imperial War Museum disponibiliza "online" a história de um trágico episódio marítimo integrado na exposição "Survival at Sea: stories of the Merchant Navy in the Second World War" sobre o afundamento em pleno Atlântico do cargueiro britânico SS «Anglo Saxon» por um navio corsário alemão.

Neste ataque, o «Anglo Saxon» perdeu a maior parte da tripulação de 41 homens. Apenas 7 tripulantes escaparam a bordo do batel de serviço medindo pouco menos de 5,5 metros. Este batel, designado tecnicamente um "jolly boat", está agora exposto no Museu e é o centro de uma pequena história trágico-marítima do último grande conflito mundial. Uma odisseia pouco conhecida que durou 70 dias à deriva, levando os 2 únicos sobreviventes à salvação numa ilha das Bahamas por sorte, improviso e muita força de vontade.

domingo, abril 04, 2004

Descoberta do HMS «Agamemnon»

HMS Agamemnon, 1781. Reconstituição 3D por P.R. Dobson (2004)


O Navio Favorito de Lord Nelson

Em 1793, pouco após a declaração de guerra da França revolucionária à Grã-Bretanha, o jovem capitão da "Royal Navy" Horatio Nelson chegou ao comando do HMS «Agamemnon», reunindo-se à Esquadra do Mediterrâneo liderada por Lord Hood onde serviu até 1796, ano em que se transferiu para o HMS «Captain». Neste período da carreira do futuro almirante, o «Agamemnon» cumpriu missões de escolta e bloqueio, entrando também em combate. Foi neste período decisivo da sua intensa carreira naval que Nelson aperfeiçou não só as suas aptidões de combate, mas também demonstrou o seu imenso carisma e aptidão de liderança. Foi também a bordo do «Agamemnon» que Nelson conheceu a sua mulher, Lady Hamilton, em Nápoles. Mais tarde, Nelson recordar-se-ia da sua aprendizagem e acção nestes três anos, elegendo o «Agamemnon» como seu navio predilecto.

Lord Horation Nelson.
Por Lemuel Francis Abbott, 1800 (National Maritime Museum Greenwich).

A história detalhada do navio foi investigada por Anthony N. Deane, em Nelson’s Favourite: HMS Agamemnon at War, 1781-1809 (1996).

Recentemente, uma equipa internacional de caçadores de tesouros anunciou ter descoberto o local de naufrágio favorito do célebre Almirante Horatio Nelson, o navio de 64 canhões HMS «Agamemnon», perdido ao largo da costa do Uruguai em 1809, ao qual estão ligados momentos históricos da vida do Almirante.

A bordo deste navio, Nelson seduziu a sua mulher, Lady Hamilton, e perdeu um olho em combate. Enterrado e protegido nos bancos de areia entre a costa uruguaia e brasileira durante quase 200 anos, o posicionamento dos vestígios terá sido estabelecida por uma equipa liderada pelo norte-americano Crayton Fenn após a descoberta, 10 anos antes, de um canhão de ferro que se comprovou pertencer ao «Agamemnon», ostentando alguns detalhes identificativos, como a insígnia real do rei Jorge III de Inglaterra.


História e Naufrágio de um Navio de Guerra

HMS Agamemnon capitaneado por Horatio Nelson em operações contra a marinha de Napoleão, c. 1795. Nicholas Pocock.


O HMS Agamemnon é um dos mais famosos navios perdidos da "Royal Navy", classificado como navio de terceira linha ("third rate"),
Lançado à água em 1781, tomou parte em 11 batalhas navais entre os anos de 1781 e 1807, assinalando-se em particular na batalha vitoriosa do Almirante Sir George Rodney sobre uma esquadra francesa das ilhas Saintes (Antilhas francesas) em 1782, no bloqueio de Toulon e captura dos portos de Bastia e Calvi (na Córsega, onde Nelson perdeu o olho direito) em 1794, estando presente em grandes vitórias de Nelson, como a batalha de Copenhaga (1801) e Trafalgar (1805). Depois de servir no bloqueio de Cádiz, o «Agamemnon» terminou a sua carreira nas Índias Ocidentais, onde tomou parte em vários confrontos contra unidades da marinha francesa e navios corsários.

ACombate do navio francês Ça-Ira contra o HMS Agamemnon (primeiro a partir da esquerda) e outros dois navios britânicos na bataille de Cabo Noli, 1795 (wikipedia).

A sua última missão realizou-se no ano de 1808, integrando a esquadra da Royal Navy destacada para patrulhamento no Atlântico Sul, tendo por base o Rio de Janeiro. Durante esta missão, o navio sofreu estragos significativos no casco durante um temporal e acabou por encalhar num recife não cartografado próximo da ilha de Gorriti, a norte da baía de Maldonado (Punta del Este, Uruguai), tendo-se salvo toda a tripulação. O capitão do navio ainda conseguiu recuperar a maior parte da artilharia e outros artefactos nos dois dias seguintes ao naufrágio.

Descoberto o local, iniciaram-se pesquisas arqueológicas subaquáticas pela equipa do MARE (Marine Archaeological Research) lideradas pelo polémico inglês Mensun Bound. Foram já recuperados vários artefactos do naufrágio, entre os quais um canhão de ferro (um dos 13 que perfaziam parte do armamento) e um selo de chumbo alegadamente ostentando iniciais de Nelson e adata de 1787.

Curiosamente, já foi anunciada a intenção de remover os restos do navio pelo milionário uruguaio Hector Bado, que irá financiar grande parte da operação. Bado está associado à ambiciosa operação de recuperação do «Graf Spee», cruzador alemão da II Guerra Mundial afundado ao largo de Montevideo. O Uruguai parece ter-se tornado cada vez mais na Meca dos caçadores de tesouros.

Notícias do "Scotsman".

Aviso à Navegação

O Centro de Arqueologia de Almada convida todos os seus sócios, colaboradores, amigos e público em geral a assistir à sessão de apresentação pública do n.º 12 da revista «Al-Madan», que terá lugar no próximo dia 23 de Abril (sexta-feira), às 18 horas, no auditório da Ordem dos Arquitectos (Travessa Carvalho, n.º 23, Lisboa - ao pé do Mercado da Ribeira).

Neste volume, destaca-se um dossiê sobre "Património e Ordenamento do Território", que incide em particular sobre os Planos Directores Municipais de "1ª geração" e as metodologias de elaboração destes instrumentos de gestão a nível local. Disponibilizam-se ainda vários outros artigos e textos de opinião, crónicas, notas de actualidade e noticiário diverso, comentários a eventos e novidades editoriais, propostas de roteiros de lazer e informações sobre recursos "online". O evento integrará uma conferência a proferir pelo Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, onde este desenvolverá as posições expressas em entrevista inserida no dossiê.

Informações: Tel. / Fax 212 766 975; e-mail: c.arqueo.alm@mail.telepac.pt

Deixo aos leitores do "Marítimo" um índice parcial deste próximo número, no qual se inclui uma modesta contribuição do capitão deste "blogue". Assim, poderão ler os seguintes artigos:

Actualidade
"Escavações no Adro da Igreja Matriz do Cadaval", por Guilherme Cardoso, João Ludgero Gonçalves e Vanda Benisse
"Escavações Arqueológicas na Villa Romana de Caparide", por Lurdes Nieuwendam, João Cabral, Guilherme Cardoso e Eurico de Sepúlveda
"Sondagens na Olaria do Morraçal da Ajuda", por Guilherme Cardoso e Severino Rodrigues
"Museu de Arte e Arqueologia do Vale do Côa: um projecto excepcional", por Fernando Real
"Desperdícios Domésticos (séculos XV-XVIII)", por Salete da Ponte e Judite Miranda
"Povoado Pré-Histórico de Leceia: valorização e divulgação", por Ana Luísa Duarte
"Aprovada Lei-Quadro dos Museus", por Ana Luísa Duarte
"Conservação de Espólio Náutico e Subaquático", por Ana Luísa Duarte
"XV Congresso da UISPP", por Luiz Oosterbeek

Crónicas
"Paleontologia: Dinossáurio Superstar", por Carlos Marques da Silva
"Pré-História antiga: Trapalhada e Caça ao Fóssil no Estudo da Evolução Humana", por Luís Raposo
"Arqueologia clássica: Viriato Ressuscitado", por Amílcar Guerra
"Arqueologia portuguesa: Ser Arqueólogo, Hoje e Amanhã: sobre a necessidade de avaliação das perspectivas profissionais", por António Manuel Silva
"Arqueologia e Património: O Ordenamento do Território Como Parte Integrante do Património Cultural," por Victor Mestre

Arqueologia
"A «Pesca de Naufrágios»- II: história e arqueologia do mergulho em navios afundados na Época Moderna", por João Pedro Vaz (yours truly, com versão mais desenvolvida aqui e a versão definitiva aqui)
"Indícios de um Campo Romano na Cava de Viriato?", por Vasco Gil Mantas
"O Balneário Pré-Romano de Braga", por Francisco Sande Lemos, José Manuel Freitas Leite, Ana Bettencourt e Marta Azevedo
"Contributo Para o Conhecimento do Povoamento Rural Romano no Concelho de Borba: a villa da Cerca", por Ana Ribeiro
"Intervenção Arqueológica e Estudo Antropológico da Necrópole no Castelo de Viana do Alentejo", por Paula Tavares, Ana Luísa Santos, Ana Gonçalves, Ricardo Silva, Félix Teichner e Ana Cristina Pais