O CLIWOC (Climatological Database for the World's Oceans) é um grupo de trabalho internacional liderado pelo Dr. Dennis Wheeler, investigador da Universidade de Sunderland (Inglaterra) encarregado de uma missão pioneira. Utilizando o manancial de observações meteorológicas inscritas nos diários de bordo antigos como fonte de informação sobre as alterações climáticas ocorridas ao longo da História.
À falta de compilações coerentes ou registos continuados, numa época em que ainda não se dispunha de equipamento especializado de precisão, consultar os diários de bordo dos veleiros de séculos passados torna-se num recurso válido para obtenção de dados meteorológicos, pois neles eram assentados com crescente regularidade a força e direcção do vento, a declinação magnética, assim como o estado do mar e do céu. Os membros do CLIWOC ocuparam-se durante 3 anos na recolha exaustiva dos dados observados através dos mares a bordo de navios ingleses, franceses, holandeses e espanhóis entre 1750 e 1850, considerando-se serem fontes de informação "consistentes e fiáveis".
Alguns dos mais ricos diários investigados são os das três grandes expedições do capitão James Cook ao Pacífico, prosseguidas durante vários anos (está disponível on-line o diário da primeira viagem). Actualmente, calcula-se que apenas se tenham pesquisado apenas 10% dos milhares de diários guardados nos arquivos europeus, devido a dificuldades no financiamento do projecto.
...e Ajudam a Prever a Meteorologia Futura
Com a ajuda destes velhos diários, será possível compreender de que maneira o clima mudou no passado, tornando-se por sua vez num instrumento valioso para recalibrar modelos de previsão que têm em conta futuras evoluções climáticas no nosso planeta. Uma parte da base de dados já está disponível em suporte electrónico, a qual será gradualmente actualizada nos próximos meses.
Notícias da BBC News Online e da ABC Science Online.
O HMS «Endeavour» descoberto?
A primeira viagem de circumnavegação do capitão Cook 1768-1771 a bordo do «Endeavour» foi justamente considerada de excepcional importâcia histórica deviso às suas valiosas contribuições no conhecimento científico, geográfico e náutico. No decorrer desta viagem, o capitão Cook tornou-se no primeiro marinheiro a calcular a sua longitude com precisão, recorrendo ao cronómetro (recentemente inventado).
Depois de partir da Inglaterra, o «Endeavour» fez escala na ilha da Madeira e daí prosseguiu até ao Cabo Horn entrando no Pacífico, dirigindo-se ao Tahiti, fazendo nova travessia até à Nova Zelândia e percorrendo a costa Leste da Austrália. Depois de algumas dificuldades encontradas na Grande Barreira de Coral, o navio foi reparado em Batavia, partindo finalmente de regresso a Inglaterra através do Índico, dobrando o Cabo da Boa Esperança. Ancorou nos Downs, frente à costa inglesa do Canal da Mancha em Junho de 1771, após uma viagem de perto de 3 anos. E esta foi apenas a primeira de três longas expedições, na última das quais encontraria a morte nas paradisíacas ilhas do Hawai.
Hoje em dia, pelo menos uma réplica do «Endeavour» navega em cruzeiro oceânicos.
Segundo notícia do "Advertiser", os responsáveis pelo Rhode Island Marine Archaeology Program noticiaram recentemente o provavel achado dos restos do «Endeavour». Sabe-se que o navio terminou a sua gloriosa carreira rebaptizado «Lord Sandwich» e afundado intencionalmente em Newport Harbour, no Estado de Rhode Island (Estados Unidos) em 1778, durante a Guerra da Independência norte-americana.
No entanto, apesar de os alegados vestígios (cuja extensão total alcança os 45 metros) terem sido localizados a apenas 12 metros de profundidade, os trabalhos de pesquisa têm sido repetidamente demorados devido à visibilidade quase nula e à vandalização do sítio subaquático praticada por caçadores de relíquias, além da já tradicional falta de verbas.
terça-feira, janeiro 13, 2004
segunda-feira, janeiro 12, 2004
A Âncora do Rei?
Com tanta confusão na Terra Santa, pouca gente reparou nesta notícia.
Ainda não há muita informação disponível mas, segundo o jornal israelita "Haaretz", foi descoberta no Mar Morto uma âncora de grandes dimensões (pesando meia tonelada) atribuível ao período romano, datada em cerca de 2.000 anos.
Indiscutivelmente, um achado histórico de interesse para a datação das navegações neste mar fechado. Arqueologicamente falando, a descoberta de uma âncora tão antiga em madeira reveste-se de um valor excepcional sendo, de facto, extremamente rara pois, após o naufrágio ou o abandono da mesma em situação de perigo, a madeira decompõe-se rapidamente quando exposta aos organismos marinhos que proliferam nas águas oceânicas. Este exemplar foi preservado pela alta salinidade do Mar Morto, que impediu a proliferação desses organismos.
Agora, quanto à história de a dita âncora pertencer à própria embarcação de recreio do bíblico Herodes, Rei da Judeia, bom... a conexão é, no mínimo ainda pouco evidente.
Morte de um Rei Maldito
Entretanto, também há quem julgue ter descoberto a verdadeira causa da morte do Rei Herodes, dito arqui-inimigo de Jesus Cristo. A comprovar-se este diagnóstico milenar, a sua morte deve ter sido apavorante.
Ainda não há muita informação disponível mas, segundo o jornal israelita "Haaretz", foi descoberta no Mar Morto uma âncora de grandes dimensões (pesando meia tonelada) atribuível ao período romano, datada em cerca de 2.000 anos.
Indiscutivelmente, um achado histórico de interesse para a datação das navegações neste mar fechado. Arqueologicamente falando, a descoberta de uma âncora tão antiga em madeira reveste-se de um valor excepcional sendo, de facto, extremamente rara pois, após o naufrágio ou o abandono da mesma em situação de perigo, a madeira decompõe-se rapidamente quando exposta aos organismos marinhos que proliferam nas águas oceânicas. Este exemplar foi preservado pela alta salinidade do Mar Morto, que impediu a proliferação desses organismos.
Agora, quanto à história de a dita âncora pertencer à própria embarcação de recreio do bíblico Herodes, Rei da Judeia, bom... a conexão é, no mínimo ainda pouco evidente.
Morte de um Rei Maldito
Entretanto, também há quem julgue ter descoberto a verdadeira causa da morte do Rei Herodes, dito arqui-inimigo de Jesus Cristo. A comprovar-se este diagnóstico milenar, a sua morte deve ter sido apavorante.
domingo, janeiro 11, 2004
Garimpeiros do Mar
Sem pompa nem circunstância, no dia 1 de Janeiro de 2004, Jorge fez 25 anos de actividade. Demora-se todos os dias perto de 4 horas nos transportes públicos no percurso até às praias do Rio de Janeiro para recuperar, das 6:30 até ao final da tarde, tudo o que seja precioso e tenha algum valor comercial, desde fios de ouro, pulseiras, brincos e notas a óculos e telemóveis perdidos pelos incautos banhistas.
José Ribeiro Mariano, "o Tornado", largou o emprego e há 26 anos vive de garimpar as praias do Rio. Em apenas duas semanas, recolheu meio quilo de ouro em objectos variados. Diz que com os festejos do "réveillon" chega até a ganhar uma espécie de "décimo-terceiro" mês. Trata-se de apenas um dos 50 fenómenos próprios à Cidade Maravilhosa, segundo o "Jornal do Brasil" on-line.
Dois empresários por conta do Mar em percursos de vida invulgares, mas nem por isso menos respeitáveis.
José Ribeiro Mariano, "o Tornado", largou o emprego e há 26 anos vive de garimpar as praias do Rio. Em apenas duas semanas, recolheu meio quilo de ouro em objectos variados. Diz que com os festejos do "réveillon" chega até a ganhar uma espécie de "décimo-terceiro" mês. Trata-se de apenas um dos 50 fenómenos próprios à Cidade Maravilhosa, segundo o "Jornal do Brasil" on-line.
Dois empresários por conta do Mar em percursos de vida invulgares, mas nem por isso menos respeitáveis.
sexta-feira, janeiro 09, 2004
Um Português no Oeste
A Oeste de novo? Não é bem assim.
Algures no interior do Texas, há uma Universidade que resiste tenazmente, através do seu Instituto de Arqueologia Náutica, às investidas de caçadores de tesouros afundados e outros coleccionadores de relíquias subaquáticas menos escrupulosos. O programa é vasto e os seus especialistas ocupam-se em projectos de Arqueologia Subaquática nos mares de todo o Mundo. Pois um dos professores é português e tem estado a beber da poção mágica destilada localmente.
O resultado: a partir de ontem está no ar um novo "blog" sobre assuntos marítimos, subaquáticos e outras curiosidades científicas. Benvindo, Filipe.
Ei-lo que se junta à comunidade "blogger", devido aos bons (e insistentes) cuidados do Alexandre. Estamos mais ricos. Venham de lá essa Ciência e essa polémica...
Novas Leituras
Também dignos de nota, pela divulgação histórica e assinalável continuidade, são o Datas na História e o Histórias e Estórias, sempre úteis.
Em jeito de conclusão, uma leitura recomendada e recomendável, O Blog do Alex, que só agora descobrimos. Mea culpa. Leiam-no.
Algures no interior do Texas, há uma Universidade que resiste tenazmente, através do seu Instituto de Arqueologia Náutica, às investidas de caçadores de tesouros afundados e outros coleccionadores de relíquias subaquáticas menos escrupulosos. O programa é vasto e os seus especialistas ocupam-se em projectos de Arqueologia Subaquática nos mares de todo o Mundo. Pois um dos professores é português e tem estado a beber da poção mágica destilada localmente.
O resultado: a partir de ontem está no ar um novo "blog" sobre assuntos marítimos, subaquáticos e outras curiosidades científicas. Benvindo, Filipe.
Ei-lo que se junta à comunidade "blogger", devido aos bons (e insistentes) cuidados do Alexandre. Estamos mais ricos. Venham de lá essa Ciência e essa polémica...
Novas Leituras
Também dignos de nota, pela divulgação histórica e assinalável continuidade, são o Datas na História e o Histórias e Estórias, sempre úteis.
Em jeito de conclusão, uma leitura recomendada e recomendável, O Blog do Alex, que só agora descobrimos. Mea culpa. Leiam-no.
quinta-feira, janeiro 08, 2004
50 anos de Actividades Subaquáticas
Primeira escola de mergulho amador em Portugal, fundada em 1953, o CPAS (Centro Português de Actividades Subaquáticas) finaliza neste início de ano a comemoração de meio século de actividade no campo da promoção e ensino do mergulho desportivo, arqueologia subaquática e no estudo da biologia marinha, assim como na conservação e divulgação do património marinho, reunindo importantes colecções nestas áreas.
Destacando-se pelo seu pioneirismo multi-disciplinar, em 1956 o CPAS realiza o primeiro filme subaquático a cores de que há conhecimento em Portugal, "Fundo do Mar", cuja captação de imagens é da autoria do Eng. Jorge de Castro e Eng. Eduardo Caupers (ambos sócios fundadores do CPAS).
Em 1957, o CPAS inicia o ensino do escafandrismo em Portugal (Mergulho Amador).
No ano seguinte é igualmente pioneiro com a realização das primeiras Jornadas de Arqueologia Subaquática em Portugal (Tróia).
Em Março de 1961, com o patrocínio do Instituto de Alta Cultura de Portugal, o CPAS organiza em Lisboa o primeiro Simpósio Médico Internacional sobre Fisiologia e Técnica do Mergulho.
Em 1965 tomou a iniciativa de propor e defender a criação de parques submarinos a nível nacional. Um dos resultados foi a criação da Reserva Natural da Berlenga, cuja iniciativa lhe pertence.
No campo científico organizou várias expedições ao longo da costa portuguesa e ao ex-Ultramar, em colaboração com a Marinha Portuguesa e outras instituições científicas (Fundação Calouste Gulbenkian, Faculdades de Ciências e de Letras de Lisboa), das quais resultaram as suas valiosas colecções, sobretudo a arqueológica e a malacológica.
Um dos últimos grandes projectos do Centro (infelizmente adiado) tem sido a criação do futuro Museu Municipal da Vida Subaquática e da História Submersa, concebido para albergar as suas ricas colecções, exibindo-as em exposição permanente e acompanhando-a de uma catalogação exaustiva e informação actualizada.
Quanto à exposição comemorativa, estará patente até ao mês de Fevereiro, de Segunda a Sexta, das 16:00 às 24:00, na R. do Alto do Duque, 45 (Restelo). Tel. 21 301 69 61.
O já histórico Centro está de Parabéns.
Destacando-se pelo seu pioneirismo multi-disciplinar, em 1956 o CPAS realiza o primeiro filme subaquático a cores de que há conhecimento em Portugal, "Fundo do Mar", cuja captação de imagens é da autoria do Eng. Jorge de Castro e Eng. Eduardo Caupers (ambos sócios fundadores do CPAS).
Em 1957, o CPAS inicia o ensino do escafandrismo em Portugal (Mergulho Amador).
No ano seguinte é igualmente pioneiro com a realização das primeiras Jornadas de Arqueologia Subaquática em Portugal (Tróia).
Em Março de 1961, com o patrocínio do Instituto de Alta Cultura de Portugal, o CPAS organiza em Lisboa o primeiro Simpósio Médico Internacional sobre Fisiologia e Técnica do Mergulho.
Em 1965 tomou a iniciativa de propor e defender a criação de parques submarinos a nível nacional. Um dos resultados foi a criação da Reserva Natural da Berlenga, cuja iniciativa lhe pertence.
No campo científico organizou várias expedições ao longo da costa portuguesa e ao ex-Ultramar, em colaboração com a Marinha Portuguesa e outras instituições científicas (Fundação Calouste Gulbenkian, Faculdades de Ciências e de Letras de Lisboa), das quais resultaram as suas valiosas colecções, sobretudo a arqueológica e a malacológica.
Um dos últimos grandes projectos do Centro (infelizmente adiado) tem sido a criação do futuro Museu Municipal da Vida Subaquática e da História Submersa, concebido para albergar as suas ricas colecções, exibindo-as em exposição permanente e acompanhando-a de uma catalogação exaustiva e informação actualizada.
Quanto à exposição comemorativa, estará patente até ao mês de Fevereiro, de Segunda a Sexta, das 16:00 às 24:00, na R. do Alto do Duque, 45 (Restelo). Tel. 21 301 69 61.
O já histórico Centro está de Parabéns.
segunda-feira, janeiro 05, 2004
A "Invencível" Armada regressa à Irlanda
Artefactos recuperados da nau «La Trinidad Valencera» irão formar o núcleo da nova exposição "The Armada in Ireland" relativa à "Invencível" Armada espanhola a organizar na Cidade de Derry, na Irlanda do Norte.
A British Lottery Fund providenciou 1,45 milhões de libras (cerca de 2,1 milhões de Euros) para financiamento do evento, que terá início no próximo mês. Trata-se de parte de um projecto maior de remodelação do Tower Museum da cidade, segundo notícia do "Ireland On-Line".
O Poder Naval de Filipe II contra a Ilha de Isabel I
No auge da Guerra Anglo-Espanhola, Filipe II de Espanha (e já então D. Filipe I de Portugal) ordenou a preparação de uma grande armada (denominada originalmente de "Felicíssima", tendo sido apelidada de "Invencível" apenas depois da derrota, pelos seus adversários) para invadir a Inglaterra, que partiu do estuário do Tejo, depois de muitos contratempos, em Junho de 1588. Após a bênção da bandeira Real na Sé catedral de Lisboa, o Duque de Medina Sidonia embarca no galeão «São Martinho», navio-almirante da armada fundeada no Tejo. Nesse momento, todas as atenções da Europa se concentravam na Armada reunida em Lisboa. Reunindo um total de cerca de 130 navios, entre galeões, naus, caravelas, galeaças e galés, e transportando pouco mais de 30.000 homens, a Grande Armada representou a manobra mais ambiciosa da Coroa espanhola no Século de Ouro das navegações.
Nesta armada contavam-se mais de 2.000 portugueses oficiais, soldados e marinheiros, um dos quais, António Martins, natural de Aveiro e piloto da nau «Trinidad Valencera», viria a ser um dos poucos sobreviventes de uma trágica aventura marítima.
Percurso Trágico de um Navio
A «Trinidad Valencera» (corruptela do seu nome veneziano, «Balanzara») era uma grande nau mercante veneziano fretada na Sicília pela Coroa espanhola.
No Verão de 1588, após o confronto com a frota inglesa ao largo de Gravelines (Bélgica) e batendo-se contra ventos contrários que os impediam de regressar para Sul pelo Canal da Mancha, a Armada retirou-se pela rota mais difícil, rodeando as perigosas costas das Ilhas Britânicas e os seus mares pouco conhecidos. Foi neste percurso, assolado por tempestades fora de época, que ceca de 35 navios naufragaram (por afundamento e encalhe), que a grande nau veneziana encontrou o seu último destino, sofrendo um encalhe e desfazendo-se nos baixios da Baía de Kinnagoe, no Condado de Donegal. Algumas centenas de homens puderam abandonar a nau antes de se afundar.
Incluída na esquadra do Levante (constituída por navios de transporte do Mediterrâneo), a nau teve o seu baptismo de fogo já ao largo da costa inglesa, quando a Grande Armada se aproximou de Portland Bill (recontro de 1 e 2 de Agosto), de novo defronte da ilha de Wight (2 e 3 de Agosto) e na manobra defensiva crucial de retaguarda travada na batalha ao largo de Gravelines (actual costa belga) entre 7 e 9 de Agosto, pouco antes da retirada da Armada em direcção ao temido Mar do Norte, iniciando o seu trágico regresso a Espanha.
No dia 20 de Agosto, rodeando a costa Norte da Escócia, o «Trinidad Valencera» e três outros navios separaram-se do principal núcleo da Armada; nenhum destes regressaria a Espanha. A 12 de Setembro, abateu-se uma forte tempestade sobre a nau da costa da Irlanda do Norte. Com o nível da água a subir no porão, a «Trinidad Valencera» ancorou na Baía de Kinnagoe dois dias depois, mas o seu estado era dificlmente recuperável. A tripulação decidiu-se por uma manobra desesperada e encalhou o navio deliberadamente para tentar sair em terra.
Salvos do inferno das ondas tormentosas, a maior parte dos homens desembarcou e instalou-se em abrigos improvisados em terra, entrando em contacto com a população nativa irlandesa que os asseguraram da sua boa vontade e auxílio contra o inimigo comum, a Coroa inglesa. Confiantes nestas palavras, os espanhóis foram apanhados desprevenidos e sem armas. Roubados os poucos bens pessoais que haviam conseguido resgatar e desnudados numa terra desconhecida, 300 homens (entre soldados e marinheiros acabaram por ser massacrados por um contingente anglo-irlandês numericamente inferior. Apenas 32 sobreviventes puderam escapar, fugindo para a Escócia com a ajuda de outros nativos menos traiçoeiros e daí seguiram furtivamente para França, onde foram resgatados pelo embaixador espanhol em Paris. Os oficiais foram enviados para Dublin, onde foram sentenciados à morte por ordens do Lord Deputy da Irlanda Sir William Fitzwilliam, em nome da raínha e da defesa de Inglaterra.
Descobertas Subaquáticas
O «Trinidad Valencera» é o naufrágio melhor estudado desta época. Arqueando 1.100 toneladas, medindo 36 metros de comprimento e armando 32 canhões, com 360 homens a bordo, a «Trinidad Valencera» era um dos maiores navios da Grande Armada.
Os vestígios do naufrágio foram descobertos na década de 1970 por um clube de mergulhadores local, tendo sido assessorados por Colin Martin, da Universidade de Saint Andrews (Escócia), famoso arqueólogo inglês e grande especialista nos navios da época da Armada (co-autor de um dos melhores estudos sobre esta campanha naval, The Spanish Armada (2002) e Full Fathom Five: Wrecks of the Spanish Armada (1975), além de vários artigos científicos em resultado das suas escavações).
Os mergulhadores recuperaram um amplo conjunto de artefactos relativos à vida a bordo, instrumentos náuticos e armamento de bordo, além de vestígios de equipamento militar destinado ao exército de invasão da Inglaterra. Deste arsenal sobressaem três enormes "cañones de batir" (canhões de cerco) em bronze, de 2 toneladas e meia cada, produto das melhores fundições do império espanhol, na actual Bélgica.
Alguns outros vestígios de navios da Grande Armada de 1588 foram descobertos e alvo de recuperações, como o «Gran Grifón», o «Girona» (por um caçador de tesouros) e o «Santa María de la Rosa». No seu conjunto, estes naufrágios vieram lançar nova luz sobre diversos aspectos do poder naval espanhol no final do século XVI, resultando numa vasta colecção de objectos cuja maior parte se guarda no Museu do Ulster.
Entre os vários artefactos a ser exibidos, encontram-se duas das grandes peças de artilharia de grande calibre, além de serviços de peças de estanho utilizados pelos oficiais a bordo, entre outros.
Espanha, Portugal e a Grande Armada contra Inglaterra de 1588
A questão do protagonismo marítimo no final do Renascimento ficou esclarecida com o fracasso da "Invencível" Armada. Embora o resultado do confronto naval no Canal da Mancha não tenha sido definitivo para a supremacia de qualquer dos antagonistas, o facto é que contribuiu para um avanço renovado das potências Protestantes da Europa do Norte nas diversas frentes de guerra do Império espanhol, marcando o fim da política expansionista dos Habsburgo de Espanha e a confirmação da decadência naval ibérica. Uma nova potência marítima emergira do Norte: chegara a vez de a Inglaterra começar a dominar os mares.
O «Marítimo» aproveita a ocasião desta inesperada notícia para "puxar a brasa à sua sardinha" e adiantar que em breve irá disponibilizar "on-line" parte do texto incluído no livro que de que fomos co-autor (juntamente com o Comandante Augusto Salgado), "A Invencível Armada (1588): A Participação Portuguesa" (Lisboa: Editora Prefácio, 2002) e do qual preparamos a segunda edição.
A British Lottery Fund providenciou 1,45 milhões de libras (cerca de 2,1 milhões de Euros) para financiamento do evento, que terá início no próximo mês. Trata-se de parte de um projecto maior de remodelação do Tower Museum da cidade, segundo notícia do "Ireland On-Line".
O Poder Naval de Filipe II contra a Ilha de Isabel I
No auge da Guerra Anglo-Espanhola, Filipe II de Espanha (e já então D. Filipe I de Portugal) ordenou a preparação de uma grande armada (denominada originalmente de "Felicíssima", tendo sido apelidada de "Invencível" apenas depois da derrota, pelos seus adversários) para invadir a Inglaterra, que partiu do estuário do Tejo, depois de muitos contratempos, em Junho de 1588. Após a bênção da bandeira Real na Sé catedral de Lisboa, o Duque de Medina Sidonia embarca no galeão «São Martinho», navio-almirante da armada fundeada no Tejo. Nesse momento, todas as atenções da Europa se concentravam na Armada reunida em Lisboa. Reunindo um total de cerca de 130 navios, entre galeões, naus, caravelas, galeaças e galés, e transportando pouco mais de 30.000 homens, a Grande Armada representou a manobra mais ambiciosa da Coroa espanhola no Século de Ouro das navegações.
Nesta armada contavam-se mais de 2.000 portugueses oficiais, soldados e marinheiros, um dos quais, António Martins, natural de Aveiro e piloto da nau «Trinidad Valencera», viria a ser um dos poucos sobreviventes de uma trágica aventura marítima.
Percurso Trágico de um Navio
A «Trinidad Valencera» (corruptela do seu nome veneziano, «Balanzara») era uma grande nau mercante veneziano fretada na Sicília pela Coroa espanhola.
No Verão de 1588, após o confronto com a frota inglesa ao largo de Gravelines (Bélgica) e batendo-se contra ventos contrários que os impediam de regressar para Sul pelo Canal da Mancha, a Armada retirou-se pela rota mais difícil, rodeando as perigosas costas das Ilhas Britânicas e os seus mares pouco conhecidos. Foi neste percurso, assolado por tempestades fora de época, que ceca de 35 navios naufragaram (por afundamento e encalhe), que a grande nau veneziana encontrou o seu último destino, sofrendo um encalhe e desfazendo-se nos baixios da Baía de Kinnagoe, no Condado de Donegal. Algumas centenas de homens puderam abandonar a nau antes de se afundar.
Incluída na esquadra do Levante (constituída por navios de transporte do Mediterrâneo), a nau teve o seu baptismo de fogo já ao largo da costa inglesa, quando a Grande Armada se aproximou de Portland Bill (recontro de 1 e 2 de Agosto), de novo defronte da ilha de Wight (2 e 3 de Agosto) e na manobra defensiva crucial de retaguarda travada na batalha ao largo de Gravelines (actual costa belga) entre 7 e 9 de Agosto, pouco antes da retirada da Armada em direcção ao temido Mar do Norte, iniciando o seu trágico regresso a Espanha.
No dia 20 de Agosto, rodeando a costa Norte da Escócia, o «Trinidad Valencera» e três outros navios separaram-se do principal núcleo da Armada; nenhum destes regressaria a Espanha. A 12 de Setembro, abateu-se uma forte tempestade sobre a nau da costa da Irlanda do Norte. Com o nível da água a subir no porão, a «Trinidad Valencera» ancorou na Baía de Kinnagoe dois dias depois, mas o seu estado era dificlmente recuperável. A tripulação decidiu-se por uma manobra desesperada e encalhou o navio deliberadamente para tentar sair em terra.
Salvos do inferno das ondas tormentosas, a maior parte dos homens desembarcou e instalou-se em abrigos improvisados em terra, entrando em contacto com a população nativa irlandesa que os asseguraram da sua boa vontade e auxílio contra o inimigo comum, a Coroa inglesa. Confiantes nestas palavras, os espanhóis foram apanhados desprevenidos e sem armas. Roubados os poucos bens pessoais que haviam conseguido resgatar e desnudados numa terra desconhecida, 300 homens (entre soldados e marinheiros acabaram por ser massacrados por um contingente anglo-irlandês numericamente inferior. Apenas 32 sobreviventes puderam escapar, fugindo para a Escócia com a ajuda de outros nativos menos traiçoeiros e daí seguiram furtivamente para França, onde foram resgatados pelo embaixador espanhol em Paris. Os oficiais foram enviados para Dublin, onde foram sentenciados à morte por ordens do Lord Deputy da Irlanda Sir William Fitzwilliam, em nome da raínha e da defesa de Inglaterra.
Descobertas Subaquáticas
O «Trinidad Valencera» é o naufrágio melhor estudado desta época. Arqueando 1.100 toneladas, medindo 36 metros de comprimento e armando 32 canhões, com 360 homens a bordo, a «Trinidad Valencera» era um dos maiores navios da Grande Armada.
Os vestígios do naufrágio foram descobertos na década de 1970 por um clube de mergulhadores local, tendo sido assessorados por Colin Martin, da Universidade de Saint Andrews (Escócia), famoso arqueólogo inglês e grande especialista nos navios da época da Armada (co-autor de um dos melhores estudos sobre esta campanha naval, The Spanish Armada (2002) e Full Fathom Five: Wrecks of the Spanish Armada (1975), além de vários artigos científicos em resultado das suas escavações).
Os mergulhadores recuperaram um amplo conjunto de artefactos relativos à vida a bordo, instrumentos náuticos e armamento de bordo, além de vestígios de equipamento militar destinado ao exército de invasão da Inglaterra. Deste arsenal sobressaem três enormes "cañones de batir" (canhões de cerco) em bronze, de 2 toneladas e meia cada, produto das melhores fundições do império espanhol, na actual Bélgica.
Alguns outros vestígios de navios da Grande Armada de 1588 foram descobertos e alvo de recuperações, como o «Gran Grifón», o «Girona» (por um caçador de tesouros) e o «Santa María de la Rosa». No seu conjunto, estes naufrágios vieram lançar nova luz sobre diversos aspectos do poder naval espanhol no final do século XVI, resultando numa vasta colecção de objectos cuja maior parte se guarda no Museu do Ulster.
Entre os vários artefactos a ser exibidos, encontram-se duas das grandes peças de artilharia de grande calibre, além de serviços de peças de estanho utilizados pelos oficiais a bordo, entre outros.
Espanha, Portugal e a Grande Armada contra Inglaterra de 1588
A questão do protagonismo marítimo no final do Renascimento ficou esclarecida com o fracasso da "Invencível" Armada. Embora o resultado do confronto naval no Canal da Mancha não tenha sido definitivo para a supremacia de qualquer dos antagonistas, o facto é que contribuiu para um avanço renovado das potências Protestantes da Europa do Norte nas diversas frentes de guerra do Império espanhol, marcando o fim da política expansionista dos Habsburgo de Espanha e a confirmação da decadência naval ibérica. Uma nova potência marítima emergira do Norte: chegara a vez de a Inglaterra começar a dominar os mares.
O «Marítimo» aproveita a ocasião desta inesperada notícia para "puxar a brasa à sua sardinha" e adiantar que em breve irá disponibilizar "on-line" parte do texto incluído no livro que de que fomos co-autor (juntamente com o Comandante Augusto Salgado), "A Invencível Armada (1588): A Participação Portuguesa" (Lisboa: Editora Prefácio, 2002) e do qual preparamos a segunda edição.
sábado, janeiro 03, 2004
...e mais naufrágios históricos
Em 1528, um dos 5 navios da frota do descobridor e "conquistador" castelhano Pánfilo de Narváez (c.1470-1528) naufragou num local denominado Santa Cruz, indeterminado até hoje. Sabe-se apenas que era uma pequena angra pouco profunda desembocando numa ampla baía, localizada algures na costa Sudoeste da Florida.
Alguns investigadores acreditam que o obscuro local de Santa Cruz poderia ser o actual porto de Charlotte (Charlotte Harbor), iniciando assim mais uma corrida em busca dos hipotéticos vestígios do navio de um dos primeiros exploradores marítimos da América do Norte.
Este é o mistério que o arqueólogo náutico J. Cozzi espera desvendar em breve, tendo sido contratado pelos Laboratórios Marinhos «Mote» (Mote Marine Laboratories, Florida) para liderar uma prospecção exaustiva de navios afundados de todas as épocas no histórico porto de Charlotte. Prevê-se igualmente a obtenção de licenças de escavação e musealização dos vestígios a serem descobertos, aguardando-se confirmação de uma verba de 50.000 dólares a obter junto do Congresso.
Em Busca da História Submersa
Alguns sítios de naufrágio foram já localizados, recorrendo não apenas a equipamento especializado, como a informações de vários particulares, técnicos, pescadores e investigadores locais.
No entanto, não se espera que algum dos naufrágios de Charlotte Harbor possua tesouros escondidos. Os verdadeiros tesouros poderão ser as histórias encerradas nos vestígios por descobrir, uma vez que os arquivos históricos são pobres em registos da actividade marítima, naquele que sempre foi um longínquo posto comercial fronteiriço e de contrabando, particularmente durante a época colonial e a Guerra Civil norte-americana.
Por outro lado, esta também uma oportunidade importante para documentar o papel de Charlotte Harbor como local de desembarque de várias das primeiras explorações geográficas e militares da América do Norte. Atestar a presença europeia neste recanto dos Estados Unidos seria uma importante contribuição para a jovem história dos Estados Unidos.
Desventuras Marítimas dos Descobridores
De facto, as expedições marítimas ter-se-ão iniciado neste continente com os desembarques do visionário Juan Ponce de León (1460-1521) em 1513 e 1521, acreditando ter descoberto a mítica Fonte da Juventude.
Ponce de León acompanhara Cristóvão Colombo na sua segunda viagem ao Novo Mundo em 1493, tornara-se Governador da ilha de Porto Rico. Anos mais tarde, à frente de dois navios equipados e tripulados às suas expensas, em Abril de 1513 baptizou a península recém-descoberta de "Pascua Florida", o actual Sul do Estado da Flórida. Trata-se (muito convenientemente...), segundo alguns guias turísticos, do actual "Fountain of Youth Park" (155 Magnolia Avenue), em St. Augustine (160 km. de Orlando, 500 km. de Miami). É até possível provar a água ou comprá-la engarrafada, mas não consta que alguém tenha rejuvenescido.
Após uma tentativa infrutífera para estabelecer uma colónia (em Pine Island), a expedição foi repelida pelos índios locais. Ferido por uma seta, o explorador fugiu para Porto Rico, onde veio a morrer.
Também Hernando de Soto desembarcou na Florida em 1539 à frente de pouco mais de 500 aventureiros em busca de minas de ouro e terras para colonizar, iniciando uma longa jornada de exploração que duraria 4 anos atravessando nada menos de 10 dos actuais Estados norte-americanos. O seu último feito foi a descoberta do grandioso Rio Mississippi, no qual viria a morrer.
Conquistador Naufragado
Mas foi a desventura de Pánfilo de Narvaéz que deixou a mais forte impressão na História marítima local. O conquistador dirigia-se a Havana (Cuba), liderando uma frota de 5 navios e 400 homens e algumas das respectivas mulheres, além de 80 cavalos. Mas, em 15 de Abril de 1528, uma tempestade arrastou os navios contra a costa do Sul da Florida.
Encurralados numa terra desconhecida e constantemente assediados pelos numerosos índios locais, os castelhanos atravessaram o interior da península até próximo de Tallahassee, onde improvisaram a construção de algumas embarcações, vendo-se obrigados a comer os seus cavalos antes de embarcarem rumo à salvação.
Os sobreviventes desta odisseia acabaram por descobrir parte do Texas e México actuais antes de conseguirem regressar a casa, em Espanha. Destes, apenas quatro homens sobreviveram para contar a história. A crónica desta ousada expedição, escrita por Alvar Núñez Cabeza de Vaca (explorador, conquistador e autor) que servia como Tenente e tesoureiro da armada, publicada em 1542, ainda hoje fascina leitores do mundo inteiro (veja-se um "post" anterior nosso)
Notícia do "Sun Herald".
Alguns investigadores acreditam que o obscuro local de Santa Cruz poderia ser o actual porto de Charlotte (Charlotte Harbor), iniciando assim mais uma corrida em busca dos hipotéticos vestígios do navio de um dos primeiros exploradores marítimos da América do Norte.
Este é o mistério que o arqueólogo náutico J. Cozzi espera desvendar em breve, tendo sido contratado pelos Laboratórios Marinhos «Mote» (Mote Marine Laboratories, Florida) para liderar uma prospecção exaustiva de navios afundados de todas as épocas no histórico porto de Charlotte. Prevê-se igualmente a obtenção de licenças de escavação e musealização dos vestígios a serem descobertos, aguardando-se confirmação de uma verba de 50.000 dólares a obter junto do Congresso.
Em Busca da História Submersa
Alguns sítios de naufrágio foram já localizados, recorrendo não apenas a equipamento especializado, como a informações de vários particulares, técnicos, pescadores e investigadores locais.
No entanto, não se espera que algum dos naufrágios de Charlotte Harbor possua tesouros escondidos. Os verdadeiros tesouros poderão ser as histórias encerradas nos vestígios por descobrir, uma vez que os arquivos históricos são pobres em registos da actividade marítima, naquele que sempre foi um longínquo posto comercial fronteiriço e de contrabando, particularmente durante a época colonial e a Guerra Civil norte-americana.
Por outro lado, esta também uma oportunidade importante para documentar o papel de Charlotte Harbor como local de desembarque de várias das primeiras explorações geográficas e militares da América do Norte. Atestar a presença europeia neste recanto dos Estados Unidos seria uma importante contribuição para a jovem história dos Estados Unidos.
Desventuras Marítimas dos Descobridores
De facto, as expedições marítimas ter-se-ão iniciado neste continente com os desembarques do visionário Juan Ponce de León (1460-1521) em 1513 e 1521, acreditando ter descoberto a mítica Fonte da Juventude.
Ponce de León acompanhara Cristóvão Colombo na sua segunda viagem ao Novo Mundo em 1493, tornara-se Governador da ilha de Porto Rico. Anos mais tarde, à frente de dois navios equipados e tripulados às suas expensas, em Abril de 1513 baptizou a península recém-descoberta de "Pascua Florida", o actual Sul do Estado da Flórida. Trata-se (muito convenientemente...), segundo alguns guias turísticos, do actual "Fountain of Youth Park" (155 Magnolia Avenue), em St. Augustine (160 km. de Orlando, 500 km. de Miami). É até possível provar a água ou comprá-la engarrafada, mas não consta que alguém tenha rejuvenescido.
Após uma tentativa infrutífera para estabelecer uma colónia (em Pine Island), a expedição foi repelida pelos índios locais. Ferido por uma seta, o explorador fugiu para Porto Rico, onde veio a morrer.
Também Hernando de Soto desembarcou na Florida em 1539 à frente de pouco mais de 500 aventureiros em busca de minas de ouro e terras para colonizar, iniciando uma longa jornada de exploração que duraria 4 anos atravessando nada menos de 10 dos actuais Estados norte-americanos. O seu último feito foi a descoberta do grandioso Rio Mississippi, no qual viria a morrer.
Conquistador Naufragado
Mas foi a desventura de Pánfilo de Narvaéz que deixou a mais forte impressão na História marítima local. O conquistador dirigia-se a Havana (Cuba), liderando uma frota de 5 navios e 400 homens e algumas das respectivas mulheres, além de 80 cavalos. Mas, em 15 de Abril de 1528, uma tempestade arrastou os navios contra a costa do Sul da Florida.
Encurralados numa terra desconhecida e constantemente assediados pelos numerosos índios locais, os castelhanos atravessaram o interior da península até próximo de Tallahassee, onde improvisaram a construção de algumas embarcações, vendo-se obrigados a comer os seus cavalos antes de embarcarem rumo à salvação.
Os sobreviventes desta odisseia acabaram por descobrir parte do Texas e México actuais antes de conseguirem regressar a casa, em Espanha. Destes, apenas quatro homens sobreviveram para contar a história. A crónica desta ousada expedição, escrita por Alvar Núñez Cabeza de Vaca (explorador, conquistador e autor) que servia como Tenente e tesoureiro da armada, publicada em 1542, ainda hoje fascina leitores do mundo inteiro (veja-se um "post" anterior nosso)
Notícia do "Sun Herald".
sexta-feira, janeiro 02, 2004
O que o Mar tem para nos ensinar
Os Botos de Laguna
Um caso exemplar de benefício mútuo utilizando as capacidades naturais do Homem e dos animais em meio marítimo que perdurou até aos nossos dias.
Em Laguna, no Sul do Brasil (Estado de Santa Catarina), pescadores "tarrafeiros" e golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops Truncatus), conhecidos localmente por "botos", pescam juntos. Na junção das lagoas locais e da foz do Rio Tubarão, num canal que desagua no Atlântico, a água é escura impedindo os nativos de verem os peixes, mas os golfinhos encontram-nos facilmente através do seu órgão emissor de ultrassons.
Os pescadores de pé, em fila, dentro da água, aguardam a chegada dos golfinhos com as redes ("tarrafas") prontas para o arremesso.
Assim que os cardumes de taínhas são localizados e cercados contra a margem das lagoas pelos golfinhos, os pescadores acompanham parte da perseguição e atiram as suas redes.
Os golfinhos nascem e morrem nas lagoas da cidade. Criados dentro do canal, em contacto com os pescadores, vão perdendo o medo e segundo se crê, muitos deles chegam a empurrar os peixes para serem capturados pelos pescadores que conhecem cada golfinho/boto pelo seu nome: "Canivete", "Chinelo", "Jucelino", "Caroba", "Dolores", "Tanguinha", "Chega Mais", "Lata", "Galha Torta" e outros.
Esta pesca original é praticada o ano inteiro, mas é nos meses de Maio e Junho, na desova da taínha, que a pesca é mais frequente, devido à maior quantidade de peixe.
A taínha "Corceira" vem do Sul, em grandes cardumes, e para a desova precisa de águas calmas, por isso ao encontrar lagoas procura refúgio nelas. Os golfinhos/botos são
considerados os grandes amigos dos pescadores naquele local.
O conhecimento sobre esta caça conjunta tem sido transmitido de pai para filho, tanto nas famílias humanas como nas dos golfinhos, segundo se crê. Uma pesca artesanal ambientalmente sã e equilibrada.
Uma notícia na secção "Weird Nature" da BBC, podendo-se obter aqui mais detalhes sobre o fenómeno. Fica também uma sugestão de leitura especializada: Pryor, Karen, Jon Lindbergh, Scott Lindbergh and Raquel Milano, "A Dolphin-Human Fishing Cooperative in Brazil", «Marine Mammal Science», vol. 6, n.º 1 (January 1990) pp. 77-82, publicada pela Society for Marine Mammology (University of Washington, Seattle, WA).
Coral revela origens antigas dos genes humanos
Mais uma vez, o mundo marítimo revela parte dos segredos da vida na Terra.
O ADN dos Invertebrados tem suscitado questões pertinentes sobre os modelos aceites de evolução das espécies.
Os resultados de estudos sobre o coral apontam para que algumas das primeiras formas de vida no plante tenham atravessado o período Pre-Câmbrico (4.600 a 600 milhões de anos antes da nossa era) transportando consigo um conjunto de genes comuns aos humanos. Um exemplo recente mostrou que das 1.300 sequências de genes observadas no coral Acropora Millepora , perto de 500 são idênticas às dos humanos. Esta descoberta indica que muitos genes que se pensava serem específicos à espécie humana podem de facto ter origens bem mais antigas.
Surpreendentemente, muitos destes genes não são partilhados com outros seres como moscas ou vermes, muito embora estes animais se tenham desenvolvido e evoluído milhões de anos após o coral. Daí a questão gerada em redor das pesquisas que utilizam estes organismos como modelos para desvendar da evolução do genoma humano...
Questões científicas primordiais abordadas num artigo da revista «Nature».
O Mar ainda esconde muitas respostas às nossas interrogações. Urge conhecê-lo melhor.
Um caso exemplar de benefício mútuo utilizando as capacidades naturais do Homem e dos animais em meio marítimo que perdurou até aos nossos dias.
Em Laguna, no Sul do Brasil (Estado de Santa Catarina), pescadores "tarrafeiros" e golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops Truncatus), conhecidos localmente por "botos", pescam juntos. Na junção das lagoas locais e da foz do Rio Tubarão, num canal que desagua no Atlântico, a água é escura impedindo os nativos de verem os peixes, mas os golfinhos encontram-nos facilmente através do seu órgão emissor de ultrassons.
Os pescadores de pé, em fila, dentro da água, aguardam a chegada dos golfinhos com as redes ("tarrafas") prontas para o arremesso.
Assim que os cardumes de taínhas são localizados e cercados contra a margem das lagoas pelos golfinhos, os pescadores acompanham parte da perseguição e atiram as suas redes.
Os golfinhos nascem e morrem nas lagoas da cidade. Criados dentro do canal, em contacto com os pescadores, vão perdendo o medo e segundo se crê, muitos deles chegam a empurrar os peixes para serem capturados pelos pescadores que conhecem cada golfinho/boto pelo seu nome: "Canivete", "Chinelo", "Jucelino", "Caroba", "Dolores", "Tanguinha", "Chega Mais", "Lata", "Galha Torta" e outros.
Esta pesca original é praticada o ano inteiro, mas é nos meses de Maio e Junho, na desova da taínha, que a pesca é mais frequente, devido à maior quantidade de peixe.
A taínha "Corceira" vem do Sul, em grandes cardumes, e para a desova precisa de águas calmas, por isso ao encontrar lagoas procura refúgio nelas. Os golfinhos/botos são
considerados os grandes amigos dos pescadores naquele local.
O conhecimento sobre esta caça conjunta tem sido transmitido de pai para filho, tanto nas famílias humanas como nas dos golfinhos, segundo se crê. Uma pesca artesanal ambientalmente sã e equilibrada.
Uma notícia na secção "Weird Nature" da BBC, podendo-se obter aqui mais detalhes sobre o fenómeno. Fica também uma sugestão de leitura especializada: Pryor, Karen, Jon Lindbergh, Scott Lindbergh and Raquel Milano, "A Dolphin-Human Fishing Cooperative in Brazil", «Marine Mammal Science», vol. 6, n.º 1 (January 1990) pp. 77-82, publicada pela Society for Marine Mammology (University of Washington, Seattle, WA).
Coral revela origens antigas dos genes humanos
Mais uma vez, o mundo marítimo revela parte dos segredos da vida na Terra.
O ADN dos Invertebrados tem suscitado questões pertinentes sobre os modelos aceites de evolução das espécies.
Os resultados de estudos sobre o coral apontam para que algumas das primeiras formas de vida no plante tenham atravessado o período Pre-Câmbrico (4.600 a 600 milhões de anos antes da nossa era) transportando consigo um conjunto de genes comuns aos humanos. Um exemplo recente mostrou que das 1.300 sequências de genes observadas no coral Acropora Millepora , perto de 500 são idênticas às dos humanos. Esta descoberta indica que muitos genes que se pensava serem específicos à espécie humana podem de facto ter origens bem mais antigas.
Surpreendentemente, muitos destes genes não são partilhados com outros seres como moscas ou vermes, muito embora estes animais se tenham desenvolvido e evoluído milhões de anos após o coral. Daí a questão gerada em redor das pesquisas que utilizam estes organismos como modelos para desvendar da evolução do genoma humano...
Questões científicas primordiais abordadas num artigo da revista «Nature».
O Mar ainda esconde muitas respostas às nossas interrogações. Urge conhecê-lo melhor.
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