domingo, dezembro 28, 2003

Captain's BLog 3000

Nesta nossa nova comemoração, enviamos saudações marí­timas aos blogonautas que dirigem as ilustres embarcações seguintes (por ordem alfabética):

Acentos e Cedilhas, Baixa Pombalina , O Bisturi, Ciência na Blogosfera Portuguesa, Cobra Cuspideira, E Deus Tornou-se Visível , Blog-Notas, Desejo Casar,
Diário de Bordo , e-Museu , Estelionatária do Amor, História da Internet, História e Ciência, Hora Absurda , LetraBlog , Memorial do Convento , Naufrágios , No Arame, Oficina das Ideias , Rabiscos e Letras, Rouba a Alheira, Sebenta, SocioBlogue , Turista Acidental, Velharias, Wildthoughts , e o Inventário de Weblogs, muito embora este insista em continuar a registar o "Marí­timo" como representante do conhecido clube de futebol insular...

É claro que se recomenda a visita a estes audazes mareantes. O "Marí­timo" e a sua tripulação agradecem e retribuem as visitas e comentários trocados na faina dos 7 mares virtuais.

Por outro lado, o "Marítimo" prepara, para o novo ano que se avizinha, novos temas marí­timos a nível da investigação histórica (alguns dos quais já publicados e outros em vias de publicação). Em breve, haverá mais novidades...

A todos, continuação de boa viagem e bom vento!

P.S. Um bom exemplo de blogues históricos que fazem falta na nossa Blogosfera: os dinossauros (que já por cá passaram bem antes dos nossos antepassados directos) surgem agora pela mão de Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã. Interessantíssimo.

sábado, dezembro 27, 2003

«Como é que o alegre homem gordo pode caber numa chaminé?» e outras inocentes dúvidas científicas

Nas vésperas da quadra natalícia, alguns pais norte-americanos ficaram revoltados quando descobriram que uma professora da Florida tinha dito às crianças de uma turma da primeira classe que o Pai Natal era "a fingir". Aparentemente, tudo terá sido iniciado quando a Professora Codner falava sobre a Fada dos Dentes aos seus pequenos alunos. Segundo a CNN, ao ser confrontada com perguntas ingénuas sobre o que havia de verdadeiro e de falso nestas personagens folclóricas, a Professora terá começado a questionar partes da história, quando se falava do Pai Natal: como é que o alegre homem gordo pode caber numa chaminé? Como é que as renas podem voar à volta do Mundo numa só noite? afirmando às crianças que tal não era possível. Ao saber deste episódio invulgar, o próprio Director da escola encarregou-se de dar uma áspera "lição" à Professora.

Na verdade, este episódio vem comprovar que as crianças são, hoje em dia e cada vez mais cedo, actualizadas. De facto, algumas das suas perguntas colocam autênticos desafios aos interrogados. Aqui ficam algumas perguntas e respostas possíveis a serem estudadas pelos professores das novas gerações, no caso da existência física do Sr. Pai Natal voltar à baila:

Pergunta: As leis da Física deixam bem claro que, se o Pai Natal realmente distribui presentes a todos os bons meninos e meninas do mundo inteiro numa só noite, ele teria que viajar a uma velocidade de tal ordem, que o seu trenó, os brinquedos e o trem de renas se desintegrariam devido à intensa fricção do ar. Então, porque é que o Pai Natal não é um monte de cinzas?
Resposta: o Pai Natal, o seu trenó, os brinquedos e as suas renas são protegidos por um sistema de protecção térmica em placas de titânio semelhante àquele utilizado no "Space Shuttle". De igual modo, segundo a Teoria da Relatividade, assim que a enorme velocidade do trenó se aproxima da velocidade da luz, o Tempo (tal como o conhecemos) torna-se mais lento. Embora pareça aos observadores na Terra que o Pai Natal está nesse momento a distribuir presentes no espaço de uma só noite, na verdade ele já o fez algures durante o governo de Cavaco Silva.

Pergunta: Como é que o Pai Natal entra nas casas desprovidas de chaminé?
Resposta: De acordo com resultados obtidos em laboratório ainda não divulgados ao público, sempre que um corpo em movimento se aproxima da velocidade da luz, diminui de tamanho até atingir as proporções ínfimas de uma partícula teórica sub-atómica (um taquião). Deste modo, o Pai Natal pode entrar em qualquer casa tão facilmente como um "quark" ou um "neutrino".

P.S.: aqui fica o apontamento de um "site" exótico sobre uma ilha de Natal no Hawai. A fotografia da chegada do Pai Natal numa canoa polinésia é especialmente evocativa do aspecto marítimo desta quadra festiva.
Boas Festas a todos.

terça-feira, dezembro 23, 2003

Projecto «Alligator»

Um feliz acaso fez com que tenham sido descobertos este ano no Service Historique de la Marine (em Vincennes, arredores de Paris) os planos de Brutus de Villeroi, inventor francês e autor, em 1861, do projecto técnico do USS «Alligator», primeiro submarino da Marinha de Guerra dos Estados Unidos. Curiosamente, o próprio arquivo onde se guarda a caixa contendo estes papeis não possuia qualquer registo bibliográfico sobre os mesmos.

A Pasta 3084...
...do Arquivo de Vincennes continha nem mais nem menos que os "Plans du Bateau Sous-Marin", ou seja, os planos técnicos, até agora desconhecidos, deste submarino pioneiro. Contém desenhos de um submersível longilíneo, em formato tubular, com uma série de pequenas vigias, uma câmara de mergulho e o sistema de propulsão inicial, com remos retrácteis. A descoberta permitirá a revelação de aspectos obscuros sobre a concepção e o desaparecimento do primeiro submarino de guerra norte-americano.

A investigação decorre a cargo de uma parceria entre o Office of Naval Research (Departamento de Pesquisa Naval) da N.O.A.A. (National Oceanic and Atmospheric Administration) e a U.S. Navy (Marinha de Guerra dos Estados Unidos), reunindo especialistas e investigadores em História naval, Arqueologia Náutica, Oceanografia, Engenharia e Exploração Oceânica para discutir a possibilidade de localização e recuperação do submarino afundado.

Afinal havia outro (submarino)
Esta curiosidade tecnológica é, de facto, pouco anterior ao «Hunley» (veja-se um nosso "post" anterior) mas inclui-se claramente neste período fértil em progresso navais durante a Guerra Civil norte-americana, que viu nascer alguns dos primeiros e mais conhecidos navios couraçados semi-submersíveis da História, como o USS «Monitor» (do qual falaremos dentro em pouco tempo), e as respostas dos Confederados, com o CSS «Hunley».
De facto, o «Alligator» foi concebido originalmente para fazer face a uma canhoneira couraçada semi-submersível, o USS «Virginia», também conhecido nos Estados do Norte como «Merrimack».

Construído em Filadélfia, o «Alligator» media 14 metros de comprimento e deslocava 275 toneladas (à superfície; 350 toneladas submerso), albergando uma tripulação de 20 homens. O sistema inicial de propulsão a remos foi mais tarde substituído por uma hélice helicoidal à ré.
Uma das mais interessantes características do «Alligator» era o seu sistema pioneiro, embora rudimentar, de renovação do ar, eliminando a ameaça do excesso de dióxido de carbono no seu interior. Muito provavelmente, disporia de um compressor de ar para alimentar o mergulhador durante as suas missões. Ambas características marcaram um enorme avanço para a época e não voltaram a ser utilizadas em submarinos até ao final do séc. XIX.

Sobre o pai do «Alligator», o francês Villeroi, emigrado nos Estados Unidos alguns historiadores pensam que poderá ter tido influencia decisiva na mente imaginativa de um jovem discípulo na disciplina de matemática, Júlio Verne. Sabe-se ainda que Villeroi dedicou-se a experiências com navios submersíveis no Rio Delaware, tendo-lhe sido confiscado em 1861 um submarino anterior pela Polícia de Filadélfia, que suspeitava de alegadas "intenções traiçoeiras". Um excesso de elo que não impediu o desenvolvimento da prometedora arma submersa.

A Perda do «Alligator»
Lançado em Maio de 1862, o submarino nunca entrou em combate, embora tenha sido o primeiro submarino da US Navy a ser posicionado numa zona de guerra, em Hampton Roads, onde se planeara uma acção de demolição de pontes e obstáculos inimigos, sem sequência.
O próprio Presidente Abraham Lincoln, personagem fascinado pela tecnologia, terá testemunhado os trabalhos de remodelação a que foi sujeito em 1862 nos estaleiros de Washington.

No ano seguinte, ao ser rebocado (selado e vazio) pelo vapor USS «Sumpter» para uma nova zona de operações, no porto de Charleston, o «Alligator» afundou-se no meio de uma tempestade repentina, algures ao largo do traiçoeiro Cabo Hatteras, na Carolina do Norte. As últimas coordenadas registadas foram 34.43 de Latitude e 75.20 de Longitude ao meio-dia de 2 de Abril de 1863. Tendo cortado as amarras com que rebocava o submarino, o «Sumpter» só pôde tentar regressar ao local onde o abandonara à deriva um dia depois, mas sem sucesso devido à intensidade dos ventos.
A partir de então, o notável submarino caiu no esquecimento.

História, Mistério e Tecnologia Naval
O sistema ofensivo do «Alligator» consistia, supreendentemente num "hard-hat diver", isto é, um mergulhador "pé-de-chumbo" com capacete rígido enviado a danificar navios inimigos) em vez da carga explosva transportada num esporão à vante do «Hunley».
O mergulhador deixaria o submarino através de uma inovadora câmara de mergulho, transportando uma carga explosiva ligada ao submarino por cabos eléctricos, colocaria a carga ao casco a atingir, a qual seria detonada posteriormente por descarga eléctrica.
No entanto, o submarino destinava-se a operar apenas em águas fluviais e portuárias.

Em Busca da Arma Submersa
Um dos responsáveis por esta busca original, o Contra-Almirante Jay Cohen, Director do Office of Naval Research teve a ideia de lançar o projecto em 2002, quando esteve envolvido na bem sucedida missão de busca vedeta torpedeira ("torpedo boat") a bordo da qual servia o futuro Presidente John F. Kennedy durante a II Guerra Mundial, a célebre PT-109 afundada no Pacífico Sul.
Pensa-se que o «Alligator» se poderá encontrar a 3.000 metros de profundidade, nas proximidades do limite da plataforma continental norte-americana.

O primeiro Simpósio sobre o fascinante USS «Alligator» decorreu no Museu "Historic Ship Nautilus and Submarine Force" em Groton, no Connecticut, tendo servido para reunir e partilhar informações e novas descobertas entre especialistas sobre o submarino.
Leia-se notícia detalhada no Washington Post.

A história destes pioneiros navios submersíveis de guerra foi recentemente publicada por Mark K. Ragan, em "Submarine Warfare in the Civil War", em 1999 e reeditado em 2002.

Novas Descobertas Subaquáticas?
Segundo o director do Virginia War Museum, uma prospecção subaquática levada a cabo para construção de um terminal marítimo no Rio Elizabeth assinalou a existência de duas grandes massas metálicas afundadas. Os investigadores pensam tratarem-se dos destroços do semi-submersível couraçado CSS «Virginia» («Merrimack») e de uma escuna que colidiu com ele e afundou-se ao seu lado. O «Virginia» foi abandonado e destruído pela tripulação ao largo de Craney Island (Virginia) em 1862, depois de um combate com o seu rival directo, o USS «Monitor», também ele redescoberto a 73 metros de profundidade, cujas caldeira e torre de canhões foram removidas numa operação igualmente liderada pelo N.O.A.A..

Então sempre se faz...

...o túnel sob o Estreito de Gibraltar.
Desta é de vez, a construção deverá ser iniciada dentro de 5 anos, unindo Europa e África. Prevê-se a conclusão deste mega-projecto dentro de uma década.
O túnel ferroviário, baseado no "Channel Tunnel" sob o Canal da Mancha, terá cerca de 40 quilómetros, 27 dos quais serão escavados sob as águas do Estreito que une o Atlântico ao Mediterrâneo, atingindo uma profundidade de 390 metros abaixo do nível do mar no seu ponto mais baixo.
A extremidade espanhola do túnel será em Punta Palomas, cerca de 47 quilómetros a Oeste de Gibraltar, enquanto que a extremidade Marroquina se situará em Punta Malabata, próximo de Tânger.
Os dois países comprometeram-se a um investimento inicial de 26 milhões de Euros na pesquisa do projecto, a decorrer nos próximos dois anos.
Mais detalhes na BBC.

Ponte ou Túnel?
Uma ideia competidora para travessia do Estreito sobre uma ponte foi rejeitada, não obstante as declarações confiantes do Engenheiro projectista, afirmando recentemente que a ponte nunca cairía vítima de tempestade alguma.

Curiosidades
Há quase 13 séculos, Rodrigo, último rei Visigodo de Espanha, não resistiu ao ímpeto muçulmano.
No ano 711 d.C. Tarik ibn Ziyad, general e governador da faixa ocidental do Magrebe, atravessou o Estreito à frente de 18 mil homens, baptizando com o seu nome o enorme rochedo andaluz: Jab Al Tariq (Gibraltar), dando início à invasão da Península Ibérica. Mais uma vez, o Mundo Árabe aqui tão perto de nós. Espera-se agora uma invasão bem mais pacífica e de utilidade para ambos os lados do Estreito.

Estreito este, que em 2004 assinala (coincidência ou não) o aniversário de 3 séculos de presença inglesa em Espanha.
Uma espinha decerto difícil de engolir para Aznar.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Últimas da recuperação da carga de moedas no SS «Republic»

Dezenas de milhares de moedas norte-americanas estão neste momento a ser recuperadas do naufrágio do SS «Republic» ao largo dos Estados Unidos, numa operação que tudo indica irá transformar-se na mais valiosa colecção de numismática a circular no mercado. A exploração subaquática do sítio de naufrágio do «Republic» está a ser conduzida pela Odyssey Marine Exploration, empresa privada sediada em Tampa, no Estado da Florida. Entretanto, foram concedidos aos Numismatic Conservation Services (NCS) e à Numismatic Guaranty Corporation (NGC) contratos exclusivos para realizar as necessárias operações de conservação, limpeza, certificação de autenticidade e embalagem destas moedas tendo em vista a sua comercialização.

Moedas ao Fundo
O SS «Republic» era um navio a vapor movido a rodas de pás que naufragou em 1865 na costa Leste dos Estados Unidos ao largo do Estado da Georgia, arrastando para o fundo cerca de 400.000 dólares em moedas de ouro de 20 dólares, carga que transportava entre Nova Iorque e Nova Orleães para financiar a reconstrução do Sul dos Estados Unidos após o final da Guerra Civil.

Mergulhos Bem Sucedidos
Entre as moedas recuperadas encontram-se numerosas "gold eagles", "gold double eagles" e "silver half dollars", moedas extremamente valiosas datando das décadas de 1850 e 1860. Ao contrário do que se verificou com outras cargas naufragadas resgatadas, foi tomado o cuidado de registar as datas, emissões e outros pormenores numismáticos de cada moeda, afim de elaborar uma base de dados exaustiva para estudos posteriores. Tendo em conta o bom estado de conservação de muitas das moedas e de algumas delas serem exemplares até agora raros, esta colecção inclui já muitos dos melhores exemplares de moedas de ouro e prata norte-americanas daquele período.

A História Continua
Leia-se a recente nota de imprensa, no "site" da Odyssey Marine Exploration e dos Numismatic Conservation Services.

O Vapor das Esmeraldas

As autoridades italianas estão a realizar uma exploração subaquática com recurso a alta tecnologia, em busca de uma carga valiosa afundada a grande profundidade, afim de recuperar moedas e jóias nos destroços do «Pollux» (ou «Polluce», em italiano), navio a vapor movido a rodas de pás naufragado ao largo da ilha de Elba em 1841 devido a uma colisão. Repousa hoje a 100 metros de profundidade sob as águas do Mediterrâneo.

Viagem interrompida
O «Pollux» partira de Marselha e dirigia-se a Nápoles, transportando uma carga de 170.000 moedas, avaliadas hoje em cerca de 17 milhões de Euros, de acordo com a revista italiana "Focus". Entre os passageiros ilustres do navio, encontravam-se uma condessa russa e uma duquesa italiana que transportavam diamantes e esmeraldas.

Mãos na Massa
A equipa de especialistas utilizou um veículo telecomandado (ROV) que recuperou algumas moedas de ouro e prata. Actualmente,o sítio de naufrágio encontra-se interditado à navegação e protegido, pois uma parte da carga já tinha sido recuperada ilegalmente por 4 mergulhadores britânicos e levada a leilão em Londres no ano de 2000, embora tenha sido embargada pela Scotland Yard, resultando na devolução ao governo italiano de 300 moedas de ouro, 2.000 moedas de prata, diamantes e braceletes, no valor total de 99.000 Euros.

sábado, dezembro 20, 2003

Pescaria a grandes profundidades

Eles aí estão, os mergulhadores profissionais, condignamente representados pelo Xaputa, espécie em extinção mas sem papas na língua. Uma autêntica caldeirada.
Deliciem-se.

sexta-feira, dezembro 19, 2003

Real Batalha sobre Tesouro Afundado

Nem de propósito...
Já no início deste ano, assistiu-se a um confronto judicial internacional surgido entre o Governos espanhol e francês e a "Sub Sea Research", companhia privada norte-americana de recuperações subaquáticas a propósito daquele que muitos acreditam ser o naufrágio mais valioso de sempre.

A "Sub Sea Research" anunciou então que encontrara os destroços do navio francês «Notre Dame de Deliverance», afundado em 1755 numa tempestade a 60 quilómetros ao largo de Key West, na Florida, repousando a cerca de 70 metros de profundidade. O navio mercante, armado na ocasião com 64 canhões e com 512 homens a bordo, tinha sido fretado pela Coroa de Espanha para o transporte dos metais preciosos extraídos das minas mexicanas e peruanas. Nessa altura, um tribunal da Florida concedeu direitos limitados de exploração à companhia para operar no sítio de naufrágio.

O Valor da Lei
A lei norte-americana considera os sítios de naufrágio como "património cultural submerso".
Mas as regras sobre a gestão e protecção deste património têm evoluido, sobretudo desde a célebre e longa batalha legal do malogrado veterano Mel Fisher com o Estado da Florida sobre direitos exclusivos do tesouro do «Nuestra Señora de Atocha», afundado em 1622, permitindo aos recuperadores privados a exploração de naufrágios de propriedade pública, desde que o interesse público na preservação histórico esteja garantido. Na prática, isto quer dizer que a protecção de todo e qualquer artefacto de interesse arqueológico é sempre garantida, embora exploradores particulares possam obter direitos legais (a ser negociados) sobre a carga preciosa, sempre que esta não apresente aos aolhos dos arqueólogos algum interesse histórico.

A Espanha tem tentado provar o seu direito de propriedade junto dos tribunais norte-americanos. Ainda que o «Deliverance» não fosse um navio de propriedade espanhola, encontrava-se no momento do sinistro ao serviço de Espanha e a carga perdida em causa era de facto espanhola. Mais, a Espanha invocou também a perda de vidas humanas no desastre, o que poderia constituir mais um elemento a seu favor. No entanto, o governo francês socorre-se do facto de que o navio foi construído em França e servia a Companhia das Índias Ocidentais quando foi fretado pela Coroa de Espanha. O veredicto cabe aos tribunais norte-americanos os quais, tanto quanto se sabe, ainda não se pronunciaram em definitivo sobre a matéria.

O Rico Mar da Florida
Entretanto, a "Sub Sea Research" apresentou um inventário original (incompleto) realizado pouco antes da partida do navio do porto de Havana (Cuba).
A carga consistia em dezenas de arcas contendo pouco mais de meia tonelada de ouro e prata bruta, pedras preciosas (sobretudo diamantes), metal amoedado (cerca de 1 milhão e 100 mil moedas em ouro e prata) e objectos valiosos (caixas em ouro).

Valor actual: estimado em 3 bilhões de dólares.
A fabulosa carga do "Delivrance" é aproximadamente 10 vezes superior ao valor da carga recuperada no galeão espanhol «Nuestra Senora de Atocha», uns meros 400 milhões de dólares.
Mais detalhes aqui.